Inovação que vem do Cerrado

30 de maio de 2016 0 Comments Destaques 675 Views
Inovação que vem do Cerrado

O eixo Rio-São Paulo sempre se destacou em diversas áreas do conhecimento. Colabora para isso o fato de estes dois Estados abrigarem boa parte dos centros de pesquisa do País. Mas pipocam aqui e ali diversas exceções. Uma delas, quando se fala da área de exames clínicos e pesquisas laboratoriais, está no Planalto Central. Mais especificamente em Brasília, onde fica a sede do Laboratório Sabin, fundado pelas bioquímicas Janete Vaz e Sandra Soares Costa. Quer um exemplo? Pois foi lá que surgiu o primeiro kit-teste capaz de identificar, num único exame, se o paciente está infectado pelo vírus da dengue, da zika ou da chikungunya.

O trabalho que deu origem a este teste, assinado pelo doutor em ciências da saúde e pesquisador Gustavo Barra, será apresentado em um prestigioso congresso na Filadélfia. “Trata-se do resultado prático de uma política estruturada que privilegia a Pesquisa e o Desenvolvimento”, destaca Sandra, presidente do Conselho de Administração do Grupo Sabin.

O laboratório foi criado em 1984 com apenas três funcionários. Hoje, conta com 200 unidades espalhados pelas regiões Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste e emprega 3,3 mil trabalhadores. A expansão para além das fronteiras da capital federal se deu a partir de 2009, mas desde o início as sócias apostaram em diferenciais competitivos. Tanto na área técnica, quanto na gestão. Prova disso, de acordo com Sandra é que o laboratório foi pioneiro, na região, em exames relacionados a doenças autoimunes e reumatológicas. “Em vez de dizer não, sempre optamos pelo ‘E por que não?´”

Para atender as necessidades de um mercado disputado e marcado pela predominância masculina, a dupla arregaçou as mangas e foi à luta. Para melhorar a capacitação técnica, elas fizeram treinamentos ou parcerias com centros de excelência, como a Escola Paulista de Medicina. A gestão foi sendo aperfeiçoada a partir de cursos na Fundação Dom Cabral, baseada em Belo Horizonte e considerada um modelo de excelência mundial. “O processo de capacitação começou pelas sócias”, destaca ela. “Mas estimulamos todos os funcionários a fazer o mesmo.”

Resultado. Hoje, Sandra e Janete, sócia e vice-presidente do Conselho, são regularmente convidadas para fóruns, no Brasil e no exterior, onde se discute exemplos de inovação em liderança. Aliás, a entrevista que deu origem a este artigo foi concedida por Sandra no intervalo de dois painéis em um seminário realizado em São Paulo. A dupla de bioquímicas e empreendedoras é adepta do estilo denominado Liderança Compreensiva que incentiva a inteligência coletiva, e enxerga o lucro como uma consequência de um processo conjunto de crescimento dos funcionários e da empresa.

O fato de o comando da empresa estar nas mãos de mulheres influencia diretamente o processo. “Colocamos em nosso negócio os atributos típicos da visão feminina do mundo”, conta a presidente do Conselho do Grupo Sabin. E ela vai além do discurso. Hoje, as mulheres ocupam 74% dos cargos de liderança na empresa. No entanto, de nenhuma delas é exigido que perca as suas características intrínsecas. “Não precisa ser uma sargentona, tampouco uma Barbie, basta ser ela mesma.” Para Sandra, a mulher não tem de renunciar à maternidade ou à família para ser bem sucedida. “A mulher que investe na carreira, automaticamente investe nos filhos e na família.”

Até agora, os números jogam em favor da dupla. Nos últimos 10 anos, o Sabin deu um salto espetacular, com o faturamento saindo de R$ 43,5 milhões, em 2005, para R$ 560 milhões, em 2015. O lucro, cujo montante as sócias não divulgam, é o objetivo do negócio, sem dúvida. Mas Sandra tem uma visão peculiar da importância deste indicador. “Nosso negócio está baseado em um propósito que vai além do ganho financeiro.”

FONTE: http://www.istoedinheiro.com.br

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