A escolha do parceiro/ Por: Carlos Rachman

1 de julho de 2016 1 Comment Artigos 773 Views
A escolha do parceiro/ Por: Carlos Rachman

As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da Negócios em Saúde  ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação.

Em todos os segmentos da economia, a correta escolha dos parceiros comerciais que serão responsáveis pelo fornecimento de insumos e de serviços é de suma importância para o sucesso do negócio. No mercado da saúde, essa decisão passa a ser vital, não apenas para os compradores de serviços (Operadoras de Planos de Saúde – OPS, na quase totalidade), mas para o próprio segmento da saúde suplementar brasileiro. Hospitais e demais prestadores de serviços de saúde também são obrigados a buscar a excelência nas relações com fornecedores, a fim de se tornarem as melhores opções de contratação.

Enquanto o processo industrial se concentra na redução contínua de custos, pela otimização do processo fabril das partes e peças do produto final, baseada na característica fundamental da uniformidade, às intervenções clínicas e cirúrgicas são imputadas a diversidade e a falta de um padrão de atuação, premissas da individualidade do ser humano e das técnicas de procedimentos, o que torna as previsões de custos pouco eficazes.

Há muito se fala na qualificação dos prestadores de serviços em saúde, mas pouco se fez ao longo dos últimos 20 anos para que essa qualificação pudesse dar sustentabilidade ao mercado e segurança nos processos de credenciamento e pagamento aos mesmos. As ações realizadas, quase todas de iniciativa dos próprios prestadores, calcaram na busca das acreditações de seus serviços, voltadas para a melhoria interna, e não buscaram a melhoria das relações com seus contratantes e, muito menos, a sustentabilidade do mercado.

É fato que, com raras exceções, as operadoras de planos de saúde não se movimentaram para buscar acordos de boa qualidade de serviços e otimização de processos junto aos hospitais e profissionais, limitando-se a fixar parâmetros negociais indexados à inflação, na tentativa de prever gastos futuros, mas sem planejar ações estruturantes que envolvessem a todos os atores responsáveis, com vistas à garantia da perenidade e previsibilidade dos custos, principalmente os cirúrgicos e internações de alto custo.

É aceitável o entendimento de que, depois de tanta divergência entre operadoras de saúde, hospitais e médicos, primeiro pela falta de regulamentação do mercado, e depois pelo crescimento da importância de materiais e medicamentos em detrimento dos honorários médicos, as relações entre os entes fossem calcadas na desconfiança e insegurança para travamento de novas propostas de soluções, dificultando sobremaneira o estabelecimento de parcerias reais e duradouras.

Com a agonização do sistema de saúde público, agregada à insustentabilidade do atual modelo do mercado da saúde suplementar, urge que seus principais atores se unam, apresentando proposições modernas, ágeis e que atendam às expectativas de todos. Assim como nos processos fabris, mas sem deixar de respeitar as particularidades de cada pessoa e os protocolos clínicos mais atuais, é fundamental a busca pela sistematização e racionalização dos processos, eliminando os desperdícios e reduzindo os gastos relativos a tudo o que não fizer parte, exclusivamente, da atividade médica competente e da prestação dos serviços hospitalares envolvidos.

A partir dessa premissa, abre-se um campo fértil para o alinhamento de tratativas que busquem uma saída para a crise instaurada e o surgimento de um novo ator, que nesse contexto, pode levar não apenas a uma melhoria das relações institucionais, mas à redução progressiva dos custos para as operadoras e à melhoria da remuneração de hospitais e médicos, no que tange à realidade do resultado da equação “Remuneração = custo hospitalar efetivo + custo serviços técnicos”, entendendo-se aí serviços técnicos como sendo o exercício da atividade médica envolvida. Com o uso de técnicas de negociação, otimização de processos, suporte tecnológico adequado, pode-se eliminar todos os recursos dispensáveis à realização dos procedimentos, potencializar o ganho hospitalar e, adicionalmente, garantir ganhos justos para a equipe técnica.

Não se trata mais do desejo de melhorar remuneração de um lado ou reduzir gasto de outro, mas sim da união das forças, diametralmente opostas, com foco na sustentabilidade de seus negócios. Isso só é possível com a existência de uma força externa que venha a unir os desejos de cada componente do segmento de saúde.

Nesse contexto, a proposição de métricas negociais, a discussão dos pontos em desalinho, a elaboração do contrato e o acompanhamento do acordo através de pontos de controle, realizados por empresa idônea, traz conforto e garantia às partes, transferindo as atenções de cada uma para sua atividade fim.

Experiências nesse sentido já se tornaram cases de sucesso e, enquanto as relações comerciais no mercado de saúde não se tornarem maduras e as regulamentações da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS não buscarem o equilíbrio para todos os atores, a participação de empresas voltadas a assessoria de mediação, serão o melhor caminho para o ganho de todos.

Aplicando técnicas de gestão em saúde, a escolha do parceiro passa a ser uma decisão não mais calcada na subjetividade de palavras e encantos, mas sim em fatos, números, resultado da cruel realidade do mercado atual, que não deixa margem a tentativas e erros de nenhumas das partes no complexo e intrincado processo de gestão do mercado de saúde suplementar.

Carlos Rachman é Consultor em Gestão de Serviços de Saúde

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1 Comentário

  1. Andrea Pantoja dezembro 25, at 21:23

    Ótima análise como sempre.. parabéns por sua clareza .abraços Andrea Pantoja Pantoja.andrea22@gmail.com

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