Editorial

A

saúde privada no Brasil já teve dias melhores, mas nos últimos vinte anos o processo de oferecimento de soluções em saúde privada tem encontrado sérias e crescentes dificuldades, isto causado por inúmeros fatores que vão desde a miopia do governo brasileiro em tratar insumos em saúde como se fossem artigos de luxo ou bebidas alcoólicas, até as normas muitas vezes incompreensíveis das agências reguladoras do setor que, na tentativa de otimizar ou oferecer sempre o melhor, acabaram por gerar mais peso ao já carregado estado brasileiro, com burocracia em excesso, legislação muitas vezes distante da realidade do mercado, exigências descabidas, um conjunto de dificuldades que só beneficiam quem vende facilidades, e que terminam por aumentar os preços de tudo que for ligado à saúde. Some-se a isto um encarecimento vertiginoso da saúde no que diz respeito a insumos, visto que boa parte senão a quase totalidade deles, tem origem no exterior, e, portanto, tem custos em dólares. Os procedimentos mais simples de tratamento, a cada dia se tornam mais complexos e exageradamente caros. O uso de medicamentos de última linha, produto da evolução científica sob todos os pontos de vista benéfica, fica cada vez mais distante da realidade econômica das empresas de medicina suplementar e do paciente particular devido ao seu alto custo, mesmo tendo efetividade inquestionável.

           Cite-se, por exemplo, a Agência Nacional de Saúde Suplementar Suplementar – ANS, com suas normas cada vez mais distantes da realidade econômica brasileira e se aproximando dos modelos adotados nos Estados Unidos da América e na Europa, sociedades de altíssimo perfil econômico, inviabiliza de modo inexorável qualquer atividade em saúde suplementar em nosso país, sempre com a justificativa de oferecer o melhor ao paciente, o que é louvável, mas ao mesmo tempo, fingindo ou não vendo mesmo, que as imposições do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde encarece de tal forma as atividades em saúde suplementar que não existe fluxo de caixa capaz de se manter equilibrado. Esta visão míope da ANS vem continuamente inviabilizando as entidades de autogestão, as pequenas e médias empresas de planos e seguros de saúde desde a sua criação, bastando checar a quantidade de operadoras que atuavam no mercado há 20 anos e as que ainda lutam pela sobrevivência. Por outro lado, parece que a medicina, como um todo, esqueceu que, muitas vezes, procedimentos simples de baixo custo também podem dar bons resultados no diagnóstico e tratamento de muitas enfermidades. Cada vez mais busca-se sofisticação, muitas vezes necessária, não resta dúvida, mas que tornam os processos tão caros que os tornam inviáveis e nem sempre são realmente indispensáveis; trata-se apenas de sofisticação tecnológica, e mais nada.

          E qual a solução que pode ser proposta? A solução é que precisamos urgentemente repensar o modelo de assistência médica no Brasil, em especial a privada. E repensar como? O único modo que nos ocorre é colocar em uma mesma “mesa de reunião” os atores diretos e indiretos da saúde privada no Brasil, a saber, os médicos, as clínicas, os laboratórios de análises clínicas e de radiologia, os laboratórios farmacêuticos, os fornecedores de insumos para a saúde, os hospitais e os compradores de produtos e serviços que pagam a conta, para que se busque uma fórmula simplificadora de custos, de utilização do mínimo com o máximo de resultados e que os desperdícios e a cultura do descartável seja melhor entendida e utilizada. Se isto não for feito rapidamente, poderemos caminhar para um colapso do setor, coisa que já parece bem evidente em algumas áreas, e no caso de colapso ou comprometimento sério do sistema, entre mortos e feridos, poucos se salvarão. Se isto acontecer, o mercado tende a se concentrar na mão de poucos e então quem vende serviços e produtos estará na mão destes únicos que se unirão para determinar as regras de mercado.

            O site Negócios em Saúde se propõe a preencher esta lacuna do mercado visando colocar em um mesmo cenário privado e restrito aos participantes, todas as empresas que compram ou vendem produtos e serviços  em saúde. Entendemos que esta oportunidade de união de todos os elementos de negociação no setor saúde em um mesmo espaço, com certeza produzirá soluções que tornarão o mercado mais fluido, simples e com valores aceitáveis para compra de produtos e serviços, sem as distorções que observamos atualmente. Este é o nosso convite a você, gestor de qualquer sistema que ofereça soluções em saúde para efetivamente trabalharmos por um mercado dentro da realidade econômica brasileira, e só com o engajamento de todos os participantes do mercado, compradores, vendedores, negociadores, profissionais de saúde e outros que venham a compor o mercado, trabalharmos efetivamente para otimizarmos os processos, diminuirmos custos e garantirmos a sobrevivência do setor de medicina complementar no Brasil.

A Diretoria